sábado, 3 de março de 2012

Entre brasa e labareda

"Juro beijar teu corpo sem descanso
Como quem sai sem rumo prá viagem.
Vou te cruzar sem mapa nem bagagem,
Quero inventar a estrada enquanto avanço."
(Leoni)



A cada dia que passa cresce mais a ferida em mim
Um desejo ardente consome meu ser por inteiro
Seja dia ou noite, meu pensamento corre para ti
Meus olhos mentem encontrar os teus no meio da casa

Imploro pela sua boca encostada ao meu corpo
Mas você me nega irredutível
No paletó ou fora dele
Você continua a negar
Renegando o desejo, renegando a mim

Eu te chamo entre caras e bocas
Pronta a te invadir por inteiro
Mas teus movimentos são fugitivos
Teu corpo tenta dizer sim, enquanto tua mente diz não

P'ra que querer fingir?
Para que tentar mentir?
Você sabe que não consegue enganar
Nem a si, nem a mim

Não há outro caminho a percorrer
Nem outra escolha que possa fazer
Feche os olhos e vem comigo
Sentir o cheiro do delírio
O gosto do absinto
A forma do puro prazer
Entregue-se a alimentar nosso desejo
E matar nossa paixão

Nizia Rodrigues


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Do silêncio e outras ausências


A gente sempre tem algo para falar, mas às vezes é melhor calar e não ter a certeza do que se iria ouvir. É melhor deixar aquela pontinha de esperança ou de chateação. É tão mais simples e fácil se convencer de que o céu é azul porque assim que ele é; do que ir buscar uma explicação para a cor azul que de dia é claro e diz sobre o mar, mas de noite vira escuridão, algumas vezes acompanhada de luar, outras tantas abandonada à luz espaça de algumas estrelas. É tão mais simples poder imaginar aquilo que eu quero e me ter uma doce ilusão que alimento nos meus sonhos, do que ter a certeza da verdade.

Tão melhor é esperar e sentir, do que confirmar e acabar com toda a expectativa e o enlace. Tão melhor é sonhar e se iludir, do que ter a certeza e chorar sem saber como continuar.

Por isso, às vezes é melhor calar, deixa passar. Como dizem por aí: “O que tiver que ser, será”. O silêncio é tão bom amigo que mesmo na solidão ele nos faz companhia. Ele é tão querido, que nos momentos triste nos traz tranquilidade e paz, mas às vezes também traz tristeza e muito mais. Silêncio dolorido. Não precisas fazer mal a ninguém, nem precisas fazer sofrer. Mas é que às vezes nem sem o silêncio podemos escapar da dor de nos perdermos para alguém. Nem ele, nem sua ausência, podem mudar o que realmente somos. Somo todos iguais, somos seres falantes e silenciosos.

Nízia Rodrigues

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Música, viagens e outros pontos



É engraçado como algumas músicas têm simplesmente o poder de te destruir e outras têm o poder de te transformar na pessoa mais alegre do mundo. Sabe quando a gente até está feliz, mas de repente surge do além aquela música que te leva para lugares dos quais você nem sabe como sair?
Aquela batida, o ritmo, a letra... tudo te envolve numa melodia de melancolia sem motivo algum (sei que isso parece discurso de emo, mas nem é - não deixe as aparências te enganar!), e seus membros são puxados para dentro. Tudo que está ao redor já nem importa mais e parece que nunca foi importante o suficiente. Tudo deixa de ser suficiente, na verdade, você só quer descobri o porquê, você só quer mergulhar até achar areia onde pisar, você só quer um descanso. Talvez queira fugir para dentro de um baú e se trancar lá dentro. Só você e suas lembranças na escuridão de um mundo perdido, de um mundo pelo qual talvez nem vale mais a pena lutar. Aliás, você já lutou demais e as forças agora se esgotaram, os amores morreram, as amizades te esqueceram e a esperança está ferida, perdendo muito sangue e você não sabe até quando ela suportará, nem até quando você suportará. Você simplesmente não sabe, mas tenta suportar. Tenta continuar caminhando, mesmo atolado, mesmo morrendo, mesmo depois do ponto final.
Incrível ver o poder que a arte tem de te transportar para um mundo que não é seu e ao qual você não foi convidado. E é por isso, pela arte e pela fé, que vc continua a caminhar, procurando uma reticências no final da página.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Tu morres a cada dia...


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Cecília Meireles